Programação em Florianópolis incluiu visita a projeto de desenvolvimento territorial e participação no Festival Social Good Brasil
Conhecer diferentes formas de atuação no campo social, ampliar repertórios e estabelecer conexões foram alguns dos objetivos da viagem de estudo realizada pela Fundação Gerações com representantes de organizações apoiadas pela Linha Emergencial do Fundo Porto de Todos. Entre 16 e 18 de setembro, o grupo participou de uma programação em Florianópolis (SC), que incluiu uma visita ao Instituto Comunitário Grande Florianópolis (ICOM), em Palhoça, e atividades do Festival Social Good Brasil (SGB).
A agenda integrou o segundo módulo da Trilha de Desenvolvimento de Lideranças, destinado às organizações participantes da Linha Emergencial. A proposta foi aproximar os participantes de experiências relacionadas à inovação social e ao desenvolvimento territorial, além de criar espaços para troca de conhecimentos, conexões e possíveis parcerias.
Um território como referência
A programação começou na comunidade Frei Damião, em Palhoça, onde o grupo conheceu o Programa de Desenvolvimento do Frei Damião, criado e coordenado pelo ICOM. Como Fundação Comunitária, o instituto atua na articulação entre empresas, indivíduos e organizações da sociedade civil, apoiando investimentos sociais, fortalecendo as OSCs e contribuindo para iniciativas voltadas à qualidade de vida na Grande Florianópolis e em Santa Catarina.
A visita incluiu uma caminhada pela comunidade, acompanhada pela equipe do ICOM, e a apresentação das estratégias adotadas pelo programa, que combina gestão de dados, articulação entre diferentes atores e ações voltadas ao desenvolvimento local.
Para Isabel Cristina da Silva Oliveira, do Instituto Camélia, a experiência mostrou como a participação de diferentes setores pode contribuir para enfrentar demandas do território. “É inspirador ver como uma governança compartilhada entre moradores, poder público e iniciativa privada conseguiu estruturar soluções de infraestrutura, como asfalto e água potável.”, constata.
A visita também levou Ricardo Cabral da Silva, da Associação das Creches Beneficentes do Rio Grande do Sul (ACBERGS), a considerar a possibilidade de desenvolver uma iniciativa semelhante em seu bairro, tomando como referência a experiência apresentada pelo ICOM. “A ideia é fabulosa, genial e replicável. Eu pretendo me apropriar mais do projeto em questão e fazer uma adaptação, óbvio, para a nossa realidade aqui do bairro e tentar aplicar esse projeto aqui com recursos talvez do BNDES também”, afirmou.
Inovação e novas perspectivas
A programação seguiu no Festival Social Good Brasil, realizado na Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE). Em 2026, o evento teve como foco a inovação brasileira em movimento, traduzida pela expressão “nosso gingado”, reunindo painéis, oficinas, rodas de conversa e outras atividades.
Entre os momentos destacados por Adriana Rublescki, coordenadora de projetos da ONG Chimarrão da Amizade, estiveram o painel “Resiliência Climática: da floresta às cidades”, a oficina “Impacto social de verdade” e uma roda de conversa sobre livre-arbítrio. Para ela, os encontros trouxeram reflexões e novas ideias para o desenvolvimento pessoal e institucional.
As discussões também abordaram tecnologia e inteligência artificial. Ricardo destacou uma roda de conversa sobre a influência das informações e dos mecanismos que interferem nas escolhas e nos comportamentos. Outra atividade discutiu o uso da inteligência artificial e a necessidade de compreender a finalidade das ferramentas antes de aplicá-las, além de analisar criticamente os resultados produzidos.
Isabel destacou ainda conteúdos relacionados a desafios presentes no cotidiano das organizações, como captação de recursos, elaboração de projetos e resiliência climática.
Fortalecimento de vínculos
Além dos conteúdos e das experiências conhecidas durante a programação, a convivência entre representantes de diferentes organizações foi apontada como um dos resultados da viagem.
Para Adriana, o contato entre os participantes contribuiu para aproximar as organizações que integram a trilha de Desenvolvimento de Lideranças. “O conjunto da experiência ficou completo com a convivência e parceria formada entre os participantes da viagem e pelo fortalecimento dos laços entre as organizações”, afirmou.
Na avaliação de Ana Lúcia Maciel, diretora de Programas da Fundação Gerações, a experiência também reafirmou a importância da articulação entre as organizações participantes. “Avaliamos, no retorno a Porto Alegre, que a viagem atingiu os seus objetivos e proporcionou momentos de interação que estreitaram os laços dessa rede que a Fundação Gerações tem a alegria de articular.”, concluiu.

