Projeto Agroecologia Urbana em Rede realiza primeira formação e troca de saberes entre territórios

11/09/2026 | Desenvolvimento territorial

Workshop aborda organização das hortas e inicia ciclo de sete encontros que seguem até novembro.

Mulheres de diferentes territórios de Porto Alegre participaram, na Ilha da Pintada, nesta sexta-feira, 11/09, do primeiro workshop do projeto Agroecologia Urbana em Rede. A iniciativa reúne hortas comunitárias para fortalecer práticas de agroecologia urbana, ampliar a troca de conhecimentos e apoiar a produção de alimentos nos territórios.

Realizado pela Fundação Gerações (FG), com apoio da Aliança pela Inclusão Produtiva (AIPÊ) e de uma rede de parceiros, o projeto tem como objetivo fomentar uma cadeia de economia solidária agroecológica por meio do empreendedorismo comunitário feminino, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a geração de impactos positivos em territórios vulneráveis de Porto Alegre.

Ao longo do projeto, serão realizados sete workshops, cada um deles em uma das hortas participantes. A proposta é que as mulheres conheçam experiências desenvolvidas em diferentes comunidades e compartilhem práticas, conhecimentos e formas de organização.

O primeiro encontro teve como foco a organização das hortas. Entre os temas abordados estão as épocas adequadas para o cultivo de diferentes espécies, o planejamento de hortaliças, frutíferas, chás e temperos, o distanciamento entre os cultivos e os consórcios de plantas.Além de material de apoio, também foi entregue a Caderneta Agroecológica, produzida pela FG. A ferramenta, uma tecnologia social, auxiliará na mensuração e na visibilidade do trabalho realizado pelas hortas ao longo do projeto.

As atividades seguem até novembro e incluem outros temas relacionados às necessidades cotidianas das hortas. Entre eles estão a produção de mudas, o manejo de pragas e doenças, a adubação, os cuidados com os cultivos e os sistemas de irrigação eficientes. Ao todo, os workshops terão carga horária de 35 horas, distribuídas em sete encontros. Também estão previstos mutirões nas hortas, com três horas de duração em cada território, entre outubro e novembro.

Conhecimento construído entre territórios

A proposta parte do reconhecimento de que cada horta possui uma dinâmica própria, com diferentes características, experiências e formas de organização construídas pelas comunidades. O programa foi estruturado a partir de visitas técnicas e conversas com representantes das hortas.

Além dos conteúdos abordados, os encontros criam oportunidades para que as mulheres conheçam outras experiências e levem novos conhecimentos para seus próprios espaços de cultivo.A técnica agrícola e gestora ambiental Eliane Crupinski, responsável pela assessoria e pela condução das atividades, comenta que a produção agroecológica está relacionada não apenas à alimentação, mas também à saúde, ao bem-estar e à convivência entre as pessoas que participam das hortas.

A definição do que será cultivado também considera os alimentos que as mulheres desejam produzir para o consumo das famílias e das próprias comunidades. Conforme a produção, os alimentos poderão ser utilizados em preparações e produtos, além de eventualmente serem comercializados em feiras. A geração de renda também pode contribuir para a autonomia das hortas, com recursos destinados à compra de sementes, mudas e outros insumos.

A horta como espaço de convivência

Na experiência de Elizabete da Rosa, a horta também representa um espaço de cuidado, participação e convivência. Agente comunitária de saúde há 14 anos, ela atua há cinco anos em uma horta coletiva, batizada recentemente de Ubuntu, no bairro Timbaúva. “Eu sou porque nós somos”, afirma, ao falar sobre a importância da atuação coletiva. Na sua avaliação, o trabalho desenvolvido na horta ganha força quando o “nós” ocupa o lugar central.

A iniciativa começou com apoio de outras instituições e, posteriormente, passou a ser mantida pelas próprias participantes. Hoje, o grupo reúne mulheres e pessoas com diferentes necessidades, incluindo participantes com questões relacionadas à saúde mental.

Para ela, a chegada da Fundação Gerações representa a possibilidade de fortalecer um trabalho que já vinha sendo desenvolvido com foco nas mulheres e na comunidade.

A expectativa para os próximos meses é ampliar a capacidade de produção e, futuramente, participar de feiras com os produtos cultivados pelas hortas. Para isso, os encontros representam também uma oportunidade de aprender novas formas de produzir alimentos e qualificar o trabalho já realizado pelas comunidades.

Saiba mais em  https://fundacaogeracoes.org.br/fundacao-geracoes-inicia-projeto-de-agroecologia-urbana/

 

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